sábado, 28 de dezembro de 2013

Pokémon Dark Green

Fonte: Creepypasta Wiki
Tradução e adaptação: Capitu
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Alguém se lembra do Pokémon Green? Não estou me referindo ao jogo japonês com o Venusaur na capa. Estou falando daquele vendido nas lojas americanas com um Scyther  na capa. Acho que sou o único que se lembra desse jogo. Eu queria, mais do que tudo, nunca tê-lo descoberto...

Tudo começou em 1998, quando Pokémon chegou aos EUA nas versões Blue e Red. Eu só tinha 7 anos. Um amigo meu havia me emprestado sua cópia do Blue, e daquele momento em diante eu fiquei viciado na série. Quando chegou a hora, eu relutei em devolver o jogo a ele, mas acabei fazendo isso. Nos dias que se seguiram, eu só falava do jogo. Quando se é criança, toda a sua vida pode girar em torno de um único jogo, como Pokémon.

Eu estava ajudando meu pai com jardinagem alguns dias antes do meu aniversário, e eu não pude evitar falar sobre o jogo sem parar.

Para minha surpresa, ele disse "Entre no carro. Nós vamos para o Walmart."

Ele realmente ia me comprar minha própria cópia de Pokémon? Eu estava incrivelmente excitado. Aquele foi um dos melhores dias da minha vida - mas acabaria me levando a um dos piores.

Nós chegamos ao Walmart, e meu pai me disse que aquele seria um presente de aniversário adiantado, e que eu só poderia ficar com ele se eu me comportasse e fizesse todas as minhas tarefas. Eu faria qualquer coisa pra ter uma cópia de Pokémon em minhas mãos. Nós entramos e nos encaminhamos à seção de videogames, e lá eles estavam. Organizados pela prateleira; Pokémon Red, Pokémon Blue e... Green? Eu nunca havia ouvido falar em Pokémon Green, mas o Scyther na capa me atraiu, e ei tinha que tê-lo. Eu peguei uma cópia, comprei e fui para casa, tão feliz quanto eu poderia estar. Essa felicidade não duraria muito.

Quando eu cheguei à minha casa, eu corri pelas escadas até meu quarto, rasguei a caixa e peguei o cartucho. O cartucho era bem estranho. Eu imaginava que ele teria uma imagem normal de um Scyther normal, assim como a caixa. Em vez disso, o Scyther estava posicionado à direita, quase como se estivesse batalhando com algo que não estava ali, e estava quase brilhando. O fundo era preto, e embaixo do logotipo Pokémon não estava escrito "Green Version" como eu esperava. Tão desconfortável quanto poderia estar com essa situação, eu coloquei o cartucho no meu GameBoy.

Eu o liguei, e descobri que em vez de mostrar uma introdução, como o Blue, ele imediatamente me levou a uma tela com uma única escolha: "CONTINUE". Onde estava o "NEW GAME"? Eu não estava muito desapontado. Minha curiosidade avassaladora me fez clicar em "CONTINUE". Eu o fiz, e depois de alguns momentos, eu encontrei meu personagem no que eu imagino que fosse minha casa. Eu tentei sair, mas, para meu desapontamento, eu não podia sair da casa. Não havia escadas, e eu não podia interagir com nenhum dos objetos.

"Mas que raios?" Eu senti um aperto no peito, ao perceber que meu cartucho devia estar quebrado, e que eu provavelmente não poderia jogar esse jogo incrível, afinal.

Eu desliguei meu GameBoy, tirei o cartucho, soprei e coloquei de volta. Isso me levou à mesma tela, com a mesma opção, "CONTINUE". Eu cliquei em "CONTINUE", o que me levou ao mesmo quarto. Eu tentei desligá-lo e soprar o cartucho mais algumas vezes, até que fiquei muito frustrado e desisti. O que diabos estava acontecendo?

Eu contei ao meu pai sobre o jogo, e ele decidiu dar uma olhada. Ele foi levado à mesma tela, e à mesma sala, e ele, assim como eu, não conseguiu escapar de lá. Ele viu a caixa rasgada no chão e suspirou.

"Bem, não podemos mais devolver." Para minha surpresa, ele disse "Eu vou ter que te comprar um novo amanhã". Eu fiquei incrivelmente feliz outra vez, e abracei meu pai com todas as minhas forças. Ainda que desapontado com o jogo que recebi, eu estava feliz por ter a oportunidade de ganhar outro.

No dia seguinte, meu pai e eu nos encaminhamos ao Walmart. Nós fomos até a seção de videgames, e muitos dos jogos Pokémon haviam sido levados embora. Metade do Blue, a maioria do Red e todos os Green aparentemente foram comprados. Nem haviam mais prateleiras onde antes estavam as cópias do Green.

"Uau..." Eu pensei comigo mesmo. "... O Green deve ser popular."

Eu não fiquei chateado. Não pretendia mesmo comprar uma cópia do Green, já que ele não funcionou muito bem da última vez. Dessa vez, eu peguei o Red. Eu já tinha jogado o Blue e já tinha tentado jogar o Green, então dessa vez eu queria algo diferente. Chegamos em casa, eu subi as escadas correndo, e abri a caixa com cuidado, para o caso de nós precisarmos devolver este. Eu tirei o cartucho vermelho da caixa, coloquei no GameBoy e joguei... por horas. Eu joguei Pokémon Red até o sol nascer na manhã seguinte. Até hoje, Red é meu favorito de todos os jogos Pokémon, e uma memória maravilhosa de minha infância. Quanto ao Green, eu o coloquei numa gaveta, e esqueci dele por muitos anos.

Era maio de 2007 quando eu recebi uma cópia de Pokémon Pearl para Nintendo DS. Meu pai, sabendo o quanto eu amo a série, me comprou um, sabendo o quão feliz eu ficaria.

"Muito obrigado, mesmo!" Eu exclamei. Antes que meu pai pudesse pelo menos me responder, eu corri até a casa do meu amigo Billy e mostrei a ele.

"O quê?!" ele disse.

"Minha mãe acabou de me comprar o Diamond!" Ele continuou.

Aparentemente, meu pai e a mãe de Billy planejaram isso por uma semana, sem que qualquer um de nós suspeitasse. Sem mais nenhuma palavra, nós começamos a jogar. Nos sentimos como crianças novamente.

Depois de muitas horas jogando, decidimos reviver nossas infâncias e conversar sobre a geração original de Pokémon.

"Meu favorito sempre será o Red" eu afirmei.

"E o meu, o Blue" Billy disse.

Eu me lembrei da primeira vez em que joguei Red, e então lembrei de algo em que eu não pensava há anos. O jogo que eu joguei antes do Red (ou pelo menos tentei); Pokémon Green.

"O que você acha do Green?" Eu perguntei a Billy. "Você já o jogou?" Billy parecia confuso.

"Muito engraçado."

Agora eu estava confuso.

"O que você quer dizer com 'muito engraçado'?"

Billy parecia irritado. "Você e eu sabemos que não existe nada como Pokémon Green."

"Existe sim!!" Eu disse.

Ele então percebeu que eu não estava brincando.

"Do que você está falando?"

Segundo meu conhecimento até aquele ponto, Pokémon Red, Blue e Green foram lançados ao mesmo tempo, em 1998. Esse último logo foi ofuscado pelo Red e Blue, e por isso eu não ouvi falar muito dele desde meus tempos de criança. Bem, pelo menos era isso que eu pensava.

De acordo com Billy, o maior expert em Pokémon que eu conhecia, Pokémon Green não existe, ou pelo menos não uma versão americana com um Scyther na capa. Determinado a provar que Billy estava errado, eu chamei ele para ir à minha casa e o levei para o meu quarto, onde eu mostraria a ele minha cópia de Pokémon Green. Eu vasculhei minhas gavetas da escrivaninha e até mesmo virei-as de cabeça para baixo, só para ser deixado na mão.

"Onde está? Eu me lembro perfeitamente de ter colocado na gaveta da minha escrivaninha quando eu era criança!"

"Está vendo?" Billy disse. "O Green não existe. Você provavelmente sonhou com isso ou algo do tipo."

Billy foi para casa, mas eu continuei procurando, só para virar meu quarto de cabeça pra baixo por nada. Pokémon Green havia desaparecido.

No dia seguinte, eu acordei, pulei da cama, escovei os dentes e desci as escadas. Lá eu encontrei meu pai, com um enorme café-da-manhã, esperando por mim; o domingo de sempre. Nós comemos e conversamos um pouco sobre esportes e o tempo. Eu decidi que talvez devesse perguntar ao meu pai sobre o jogo, e foi o que eu fiz.

"Aquela coisa velha? Ah sim, eu peguei ele no seu quarto um pouco depois de te comprar o novo, e tentei devolver sem o pacote. Eles tentaram mentir pra mim e me disseram que nunca me venderam aquele jogo. Eu os mandei à merda e saí com raiva. Eles podiam simplesmente ter me dito que precisavam da caixa. Enfim, está na minha cômoda lá em cima. Vou buscar."

Enquanto meu pai se dirigia a seu quarto, eu fiquei pensando. Billy disse que o jogo não existe, e o Walmart disse que nunca havia colocado esse jogo à venda. Isso estava começando a me deixar tenso.

Enfim meu pai desceu as escadas e me entregou o jogo pelo qual eu estive procurando tanto: Pokémon Green.

Eu senti uma temerosa, porém avassaladora vontade de tentar jogar o jogo mais uma vez, então eu peguei meu velho GameBoy e comecei a jogar. Eu teria pedido para Billy desvendar o jogo comigo, mas ele geralmente estava na igreja com a família naquele horário. Eu estava sozinho com meu próprio esforço.

O jogo começou como sempre, com nada além de "CONTINUE" na tela inicial. Eu selecionei, e me encontrei preso no mesmo quarto, preso. Nessa época, sendo mais velho, eu podia prestar mais atenção a cada detalhe. Talvez agora eu pudesse encontra uma saída. Eu decidi apertar start e ver se tinha algum Pokémon. Eu tinha um Scyther (não muito surpreendente), nível 25, sabendo apenas os movimentos STRENGTH, CUT e FLASH. Um Scyther podia aprender todas essas habilidades? Eu fui até meus itens, só para não encontrar nada, e para o meu status de treinador, só para descobrir que eu não tinha nenhum dinheiro, nenhum distintivo, e 0 horas de jogo, o que é impossível. Se eu ainda não tinha alcançado o patamar de estranhamento antes, agora eu tinha.

Eu dei uma boa olhada no quarto para ver se encontrava alguma coisa que eu não tinha visto quando criança. Para meu prazer, eu encontrei. Havia uma pedra no quarto! Quando criança, eu provavelmente pensei que se tratava de uma cadeira ou algo do tipo, considerando que eu nunca havia realmente jogado Pokémon antes. A pedra estava do lado direito do quarto, contra a parede. Naturalmente, eu fiz Scyther usar STRENGTH e eu consegui movê-la. Eu fui até o buraco na parede em cuja frente a pedra estava e apertei o botão A.

Uma caixa de texto apareceu dizendo simplesmente "ESCURO...". Toda vez que eu apertasse A, apenas diria "ESCURO..."

"O que diabos está acontecendo?" Eu pensei por um segundo e lembrei que Scyther sabia FLASH. Eu o usei perto da parede onde a pedra estava. Um caminho foi iluminado. Uma saída aparentemente milagrosa havia sido encontrada! Eu fiquei menos temeroso e mais excitado à medida que eu andava por esse corredor quase sem fim que só tinha largura o suficiente para que meu personagem passasse espremidamente por ele. Eu finalmente cheguei à luz no fim do meu túnel, literalmente, parecendo mais que eu estava saindo de uma caverna do que de uma casa mesmo. Eu caminhei por ela, e onde me levou? Eu fui parar na lateral da minha casa, no que parecia ser Pallet Town. Imagine só, minha casa parecia ter tamanho normal, isenta de qualquer extensão protuberante no lado onde o corredor deveria estar. Isso era estranho, mas eu só ignorei e continuei jogando. Também não tinha como voltar pra dentro da casa, já que não havia portas. Eu dei uma volta pelas redondezas, e descobri que não haviam portas em qualquer dos edifícios. Parecia até uma cidade fantasma, a não ser pelo que parecia ser o Professor Oak em pé em frente ao seu laboratório, onde a porta deveria estar.

Eu tentei falar com ele, mas sempre aparecia uma caixa de texto com "…". Isso me fez sentir na beira de um penhasco, mas eu segui em frente.

A única coisa lógica que eu ainda podia fazer era ir a Viridian City, então eu comecei a andar na direção da grama. Antes mesmo que eu pudesse tocar a grama, o Professor Oak veio correndo por trás de mim.

"O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? É MUITO PERIGOSO PARA VOCÊ E SEU POKÉMON!"

Uma sequência de batalha começou. Eu realmente ia batalhar com o Professor OAK? Com certeza, eu ia. O sprite de Oak estava estranho. Ele estava olhando para o chão, e a expressão em seu rosto fazia parecer que ele tinha sérios problemas, de alguma maneira. Oak mandou um Squirtle de nível 5, e eu obviamente mandei meu Scyther nível 25. O sprite do Squirtle parecia com o de Oak, cabisbaixo e com problemas.

Eu o venci rapidamente, e Oak disse "NÃO VÁ!!!" Ele então mandou, sem surpresa, um abatido Charmander de nível 5. Eu também o venci rapidamente. Oak gritou novamente "NÃO VÁ!!!" Ele então mandou um igualmente cabisbaixo Bulbasaur, de nível também 5. Eu ganhei dele, e a batalha acabou, mas antes Oak se aproximou da tela mais uma vez para dizer pela última vez: "NÃO VÁ!!!"

O Professor Oak permaneceu perto da grama, silencioso, enquanto eu caminhava em direção a Viridian City. Uma vez que ele estava fora de vista, uma caixa de texto apareceu, provavelmente de Oak, dizendo: "EU IMPLORO! NÃO SAIA! VOCÊ NÃO VAI CONSEGUIR VOLTAR!"

Paralisado pelas palavras de Oak, mas inquieto pelo terror do que eu agora estava convencido que era um jogo hackeado, eu me dirigi a Viridian City.

Antes que eu pudesse chegar ao meu destino, a luz que iluminava meu caminho desapareceu. Foi ficando mais e mais escuro, até ficar tudo completamente preto. Assim que escureceu totalmente, eu fui de encontro a um Pokémon selvagem. Daqui para a frente, eu vou me referir a esse Pokémon como "O Invisível". Estava no nível 100, e não tinha um sprite ou um nome. Eu não conseguia lutar com ele, porque toda vez que eu escolhia um dos movimentos de Scyther, o jogo diria "Scyther está muito assustado pra se mover".

Eu fugia da batalha e tentaria me mover, mas eu acabaria esbarrando no Invisível antes mesmo que eu pudesse dar um único passo. Eu estava preso. Isso aconteceu por mais umas cinco vezes até que eu decidi parar e pensar um pouco.

"Hum... e se eu usar o FLASH?"

Eu fiz Scyther usar o FLASH, só para encontrar meu caminho para Viridian City fracamente iluminado em um tom de verde escuro. Eu continuei, e o Invísivel parecia ter desaparecido.

Eu finalmente cheguei a Viridian City, ou pelo menos em sua versão verde escura e pouco iluminada. Quando eu coloquei meus pés nas cidade, uma caixa de texto apareceu dizendo "VIRIDIAN CITY  - FIQUE PARA SEMPRE E APROVEITE O GINÁSIO". Mas que porra? Fique para sempre, aproveite o ginásio?

Eu tentei voltar por onde tinha vindo, mas havia uma parede invisível. Eu tentei caminhar para a frente, só para encontrar outra parede invisível nos limites da cidade. Oak estava certo; eu jamais poderia voltar, ou sair de Viridian City. Eu me acalmei um pouco, e explorei a cidade. Assim como em Pallet Town, os edifícios não tinham portas, à exceção do ginásio. A única pessoa na cidade era o velhinho que te ensina a capturar Pokémons. Evitando o velho, o qual eu achava assustador até nos jogos Pokémon normais, eu tentei o ginásio. Estava fechado.

Eu andei pela cidade inteira. Inevitavelnente, eu tinha que falar com o velho para progredir. Relutante, eu o fiz.

"Ei! Então você quer capturar Pokémons? Você quer se tornar um Mestre Pokémon, vencer os poderosos treinadores na Liga Pokémon e desfrutar de uma eterna vida de solidão?"

Foi então dada a mim uma escolha entre "SIM" ou "NÃO". Eterna vida de solidão? Eu escolhi "NÃO".

"Bem, então fique para sempre e aproveite o ginásio!"

Mas que diabos? Eu não podia aproveitar um ginásio fechado.  Eu falei com ele novamente para encontrar o mesmo texto, mas dessa vez escolhi "SIM".

Ele disse "Bem, então você está no caminho para se tornar o que sempre sonhou, mas, primeiro, venha comigo. Eu vou te apresentar a um verdadeiro Mestre Pokémon!" Então ele me levou ao ginásio e ficou em pé perto da entrada. Eu tentei falar com ele de novo, mas não funcionou. Eu deduzi que ele não ia me apresentar a ninguém. Tentei o ginásio de novo. Dessa vez eu podia entrar.

Eu estava meio nervoso, mas pensei comigo mesmo: "É só um jogo hackeado feito por algum funcionário mentalmente instável da Game Freak, ou algo do tipo." Apenas parte de mim acreditava naquilo, enquanto o restante de mim achava que aquele jogo era mais sinistro que aquilo. Eu esperava que este último estivesse errado.

Encontrei meu personagem na escuridão total. O ginásio estava totalmente preto. Eu fiz Scyther usar FLASH, e o quarto foi fracamente iluminado num tom de verde escuro, como eu já esperava. O ginásio não se parecia em nada com o complexo labirinto que era no Red. Aqui, era apenas um quarto pequeno. No fundo do quarto, estava o que parecia ser Giovanni. Eu caminhei até ele e pressionei A.

Ele disse "Infelizmente, é aqui que sua jornada Pokémon termina. Não há nada depois desse ponto, e você vai ficar para sempre nesse quarto. Sinto muito."

"O quê? Então é isso? Não pode ser." Eu pensei enquanto andava pelo quarto múltiplas vezes e tentava sair, mas não conseguia. Eu fiquei ali, sentado e desapontado. Por mais arrepiante que o jogo fosse, eu sentia uma fortíssima necessidade de terminá-lo. Depois de alguns instantes, eu tentei falar com Giovanni novamente.

Dessa vez ele simplesmente disse: "Eu sinto muito."

Todas as vezes que eu falasse com ele, tudo que ele diria era "Eu sinto muito."

Tentei falar com ele pela lateral, mas não funcionou. Eu então tentei falar com ele por trás, no espaço exatamente anterior à parede.

Ele se virou e disse "Eu sinto muito. Muito mesmo."

Uma sequência de batalha começou. Finalmente, produtividade.

"GIOVANNI não tem escolha!" apareceu na caixa de texto, no lugar do usual "GIOVANNI quer batalhar!" Eu estranhei, mas passei por cima como fiz com cada coisa estranha que encontrei nesse jogo. A batalha havia começado.

"GIOVANNI mandou" era tudo que a caixa de texto seguinte dizia, e o Pokémon que ele mandou era ninguém menos que o Invisível de nível 100. Eu novamente mandei o Scyther para enfrentar o que eu podia apenas supor que era um Pokémon. Dessa vez eu podia realmente lutar. Toda vez que o Invisível usasse um movimento, diria apenas "usou..." e nada aconteceria. Toda vez que eu usasse STRENGTH ou CUT, eu erraria - cada vez, então aquela batalha não ia acabar nunca. Finalmente eu decidi usar FLASH. O que sucedeu foi bem inesperado.

O Invisível ficou visível. O Pokémon era nada mais, nada menos que um Scyther, mas uma versão mais sombria, assemelhando-se ao tom de verde escuro do restante da cidade. O sprite também era estranho. Eu apenas posso descrevê-lo como sinistro - maligno, eu acho. Nós lutamos. Meus movimentos não falharam mais, mas eles faziam pouco efeito num Scyther nível 100. A versão sombria do meu Pokémon agora sabia os movimentos do meu Pokémon também, e, depois de ele usar CUT 2 vezes, meu Pokémon foi derrotado. Giovanni veio à tela mais uma vez para dizer "Eu sinto muito."

Eu então estava de volta ao ginásio, muito embora meu único Pokémon estivesse desacordado. Eu chequei, e Scyther realmente tinha 0 HP. Eu andei até Giovanni e falei com ele pela última vez.

Foi isso que ele disse "VOCÊ PRECISA ENCONTRAR UMA SAÍDA! Ele tem controle sobre todos nós! Você vai se tornar outra vítima! Tem uma porta..."

Sua fala foi cortada por um animação. A animação era do Scyther sombrio agarrando Giovanni por trás. Eu encarei a imagem por um tempo. Giovanni parecia tão assustado que me deu dor no estômago. Depois de uns 3 minutos, a imagem desapareceu e eu estava de volta ao ginásio. O quarto era o mesmo, mas Giovanni havia sumido. Eu tentei sair, mas assim que cheguei à porta, outra animação começou. Era a mesma anterior, mas, no lugar de Giovanni, era o meu Scyther que estava nas garras de sua versão sombria. Depois de alguns minutos, a animação continuou e meu Scyther foi cortado em pedacinhos. Mesmo com a qualidade ruim da imagem, ela me introduziu uma alta dose de terror.

A animação terminou e cortou para uma imagem da cabeça do meu Scyther, parecendo tão assustado no meio daquela escuridão, e uma caixa de texto apareceu. "Você falhou."

Nesse ponto o jogo congelou.

Perturbado, eu tirei o cartucho do meu GameBoy e o joguei na parede. Eu desci as escadas correndo e bebi um copo de água. Depois de me acalmar, eu chamei Billy e o fiz vir à minha casa. Eu precisava que alguém mais tivesse essa experiência. Não preciso nem dizer que eu estava surtado. Billy até que veio bem rápido.

"O que é? O que aconteceu?"

Eu dei o máximo de mim para explicar tudo, e ele apenas riu.

"Ah, claro." Ele disse.

Eu disse a ele que provaria. Subi as escadas correndo, peguei o cartucho no chão, desci correndo e mostrei a ele. Ele não estava impressionado.

"Quanto tempo você demorou para fazer isso?" Eu já estava ficando irritado nesse ponto.

"Eu não fiz! É real! Jogue. Você vai ver."

Eu dei a ele meu GameBoy e ele inseriu o cartucho. Ele o ligou, e nada aconteceu. Ele tirou o cartucho, soprou, mas sem resultado. Não funcionava mais.

"Eu devo ter danificado quando joguei na parede." Billy riu novamente. "Você me convenceu por um segundo."

Então ele foi embora para casa, enquanto eu fiquei sentado lá, ainda pensando no que havia acontecido momentos antes de Billy chegar.

Eu pensei alto "Giovanni disse que havia uma porta... talvez eu devesse ter procurado por uma, e não tentado sair."

Mas meus pensamentos eram inúteis, porque desde esse dia eu não consigo mais fazer o cartucho funcionar. Eu queria ter procurado uma porta e evitado ver aquela animação. De algum modo, ela me traumatizou, e eu não tenho sido o mesmo desde então.

Como você pode ver abaixo, eu ainda tenho o cartucho, e eu o escaneei usando minha impressora, para que você possa ver de perto com o que se parece. Eu sei que está um pouco borrado, mas foi o melhor que eu pude fazer. Esse jogo é real.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Fotos do passado

Muitas pessoas guardam fotografias antigas em locais que parecem estranhos à maioria das pessoas. Minha avó mesma mantinha fotos de amigos e vizinhos em seu velho closet. De qualquer jeito, algumas dessas fotos são deixadas para trás de tempos em tempos. Os donos das casas morrem, outras pessoas se mudam para suas casas e as fotos permanecem lá. Algumas fotografias mostram lugares, tempos ou coisas que importam. Outras fotos são imagens aleatórias que saíram boas. Outras, que saíram ruins. Mas pelo menos uma das fotos é, sem dúvida, de uma pessoa morta.

Minha avó tinha uma fotografia dela mesma, deitada na cama em que morreu, parecendo inacreditavelmente envelhecida. Na minha própria casa, eu encontrei uma foto de um dono anterior com uma faca na mão. O corretor que me vendeu o lugar me contou que o antigo dono da casa foi morto pela esposa.

Toda casa tem fotos como essa. Reze para não esbarrar na sua.

Fonte: Creepy Tales
Tradução e adaptação: Capitu